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segunda-feira, junho 27, 2011

Mãe desesperada não sabe paradeiro do filho especial


Galera, vamos ajudar! Um adolescente de 13 anos saiu de casa para ir a uma lan house em Niterói, região metropolitana do Rio, e desapareceu. A mãe está desesperada por informações.
Querido, se você foi embora por algum motivo, volte! Ninguém quer mais o seu bem do que os seus familiares. Eles, e mais ninguém, estarão prontos para te ouvir e ajudar no que for necessário.
Pessoal, ele é uma criança especial, toma remédios controlados e precisa demais da ajuda da família. Se você sabe de alguma coisa ou viu o menino, entre em contato com o Disque-Denúncia pelo telefone (21)2253-1177. Qualquer pista é muito importante!
Veja o apelo da mãe:





Fonte : http://noticias.r7.com/blogs/wagner-montes/

quarta-feira, abril 27, 2011

Equoterapia ajuda no tratamento de crianças especiais

Método utiliza o cavalo como instrumento educacional e psicoterapêutico

Do iBahia por: Ana Virgínia

Apesar de existir há mais de 30 anos na Europa, a equoterapia (terapia feita com cavalos), ainda é pouco conhecida em Salvador, mas graças a um trabalho voluntário de uma mãe e da parceria com a Polícia Militar, o método vem auxiliando no tratamento de crianças com paralisia cerebral, síndromes genéticas, esclerose múltipla, autismo, distúrbio do déficit de atenção e outras doenças.
Na capital baiana, o surgimento de um centro que atendesse crianças e adolescentes com essa necessidade nasceu com o problema de Yuri, filho de Maria Cristina Guimarães Brito, presidente da Associação Baiana de Equoterapia (Abae), que hoje atende, em média 130 pacientes por mês. O garoto foi diagnosticado com paralisia cerebral e, conhecendo a atividade, Maria Cristina resolveu implantar o atendimento, em parceria com o Esquadrão de Polícia Montada.
Desde 1993, a atividade é desenvolvida na sede do esquadrão, que fica no Parque de Exposições de Salvador, em Itapoã. Os animais usados no tratamento têm mais de sete anos, pois, segundo Maria Cristina, a partir desta idade eles ficam mais dóceis e tranquilos, passando assim maior segurança, tanto para a criança quanto para a equipe de trabalho. O animal, aliás, é quem contribui para os estímulos sentidos pelos pacientes através da neuroplasticidade.
A associação, que atende prioritamente crianças carentes e filhos de militares, oferece suporte às famílias e um trabalho de inserção dos meninos e meninas na rede regular de ensino, além é claro do trabalho de passo e trote feito com os cavalos e as crianças. Cada procedimento é específico para determinado tipo de problema. O acompanhamento infantil é totalmente lúdico, com cunho fisioterapêutico, garantindo benefícios físico e emocional.
De acordo com a idealizadora do centro, o retorno que se tem, em primeiro lugar, é a possibilidade de poder contar com a Polícia Militar nesse trabalho. Sobre os maiores ganhos, o médico fisiatra francês René Garrigue diz: "não se sabe o que vem primeiro; se é o benefício físico ou o psicológico". Só o o fato de tirar essas criança a de um tratamento em uma sala, entre quatro paredes, já é ótimo.

O programa tem ainda uma parceria com o 19º BC (Batalhão de Caçadores) do Exército, e uma vez por semana Maria Cristina leva um cavalo até o batalhãr do Cabula para atender crianças e adolescentes daquela região e adjacências. As sessões duram de 15 a 20 minutos, uma vez por semana, e não existe alta para o paciente. O que há, na verdade, é um controle de frequência. "A partir da terceira falta, a família do paciente é contactada para saber o porque da ausência e se a causa não for justificada, a gente tem que dar lugar a um novo paciente", explica Maria Cristina.

ATENDIMENTO – O projeto teve o apoio inicial do Major Cristóvão, em 1993, quando estava no comando da Polícia Montada. Desde 2009, porém, a Equoterapia desenvolvida no esquadrão conta com a supervisão do Major Fonsêca. Para ele, a Polícia Militar atua de modo a atender a efetiva realização do trabalho, mas por algumas limitações estruturais ainda não pode aumentar o número de pessoas atendidas. Segundo o major, há uma boa interação tanto disciplinar quanto interdisciplinar e a atividade tem se consagrado e se consolidado, atendendo crianças da capital e do interior.

Para as crianças que fazem parte do projeto, o momento do tratamento passa a ser de inteiro prazer. Muitos até choram quando é hora de encerrar a sessão ou se não podem executar os exercícios nos dias de avaliação. Maria Cristina ressalta que a atividade torna-se tão agradável para os pacientes, que alguns chegam a ter insônia e ansiedade, na noite anterior à ida ao Parque de Exposições . Tudo isso pela vontade de andar a cavalo.

O filho de Maria, Yuri, que dá nome ao Centro Hípico do 19º BC, é a prova bem-sucedida de que o tratamento dá certo. "Com o passar dos dias eu fui melhorando minha coordenação motora, meu equilíbrio e minha fala. Eu quase não cruzava mais as pernas e as quedas deixaram de existir. Eu via o cavalo como meu amigo, o animal dos ajustes", diz ele, que é formado e hoje trabalha na Petrobrás.

Um outro paciente, Yuri Cunha, de 17 anos, conta que quando chegou à equoterapia, mal levantava da cadeira de rodas. Hoje, ele anda e não precisa mais do equipamento. A mãe dela afirma: "Ele é fã da Polícia Militar e do Exército e adora vir para cá. Melhorou bastante."

LIVROS PUBLICADOS - Além de ajudar filhos de outras famílias, a coordenadora do centro Maria Cristina Guimarães decidiu contar sua história no livro Minha Caminhada, que já está na segunda edição. Nele, ela revela o processo de desenvolvimento do filho durante os anos de tratamento e também explica o aspecto cinético da equoterapia.

A primeira edição de Minha Caminhada segue a linha familiar. A publicação mostra a aceitaçãodo filho especial, explica como lidar como a criança, além de ressaltar a importância do envolvimento da família, adaptações necessárias e mostra também as dificuldades de inserção na rede regular de ensino. No caso de Maria, ela nunca aceitou que Yuri frequentasse uma escola especial.

Minha Caminhada II traz esclarecimentos sobre a técnica da equoterapia, além de expôr a visão de um neurologista e abordar estudos científicos da área e conceitos básicos da psicologia.

LOCALIZAÇÃO – As instalações contam com uma pista de equitação, uma sede administrativa, uma selaria e uma casa de reunião. Além de Maria Cristina, atuam na Abae uma médica pediatra supervisora, uma psicóloga, dois auxiliares de serviços gerais, dois técnicos, um coordenador administrativo, três terapeutas ocupacionais, dois fisioterapeutas e uma fonoaudióloga, além dos próprios soldados da Polícia Montada que cuidam dos cavalos durante os exercícios.

Confira os endereços:

* Associação Bahiana de Equoterapia – Av. Dorival Caymmi, Pq de Exposições – Esquadrão de Polícia Montada s/nº – Itapuã
* Centro de Equoterapia Yuri Guimarães Brito / 19º BC
Rua Villagran Cabrita s/nº/ 19º BC – Cabula
Telefones: (71) 3285-0770 / 3249-0599

quinta-feira, abril 14, 2011

Diversidade na escola favorece socialização dos estudantes




Durante o intervalo das aulas, na escola municipal Dona Lili, em Balneário Camboriú (SC), duas crianças gesticulam incessantemente. Sorrindo, os professores só as observam de longe. Os gestos rápidos, firmes e incisivos não são acompanhados de sons. Os meninos estão conversando na linguagem brasileira de sinais (libras).

A cena, cada vez mais frequente em escolas públicas, revela resultados da política do governo federal para inclusão de estudantes com deficiência em turmas regulares. Uma campanha de televisão, promovida pelo Ministério da Educação, mostra a importância da inclusão desses estudantes e o combate ao preconceito.


Um dos estudantes da escola de Camboriú é Sanderson Ferreira, 13, surdo, matriculado na turma regular do sétimo ano. Sanderson é um dos 13 alunos com deficiência, física ou mental, atendidos na Dona Lili. São crianças com surdez, espectro autista, paralisia cerebral, síndrome de Tourette, mas que frequentam a escola comum. Durante as aulas, Sanderson é acompanhado por um intérprete de libras que repassa, na linguagem de sinais, o conteúdo explicado pelo professor.


Com dez anos de funcionamento, a escola se adaptou para atender as necessidades de seus alunos, seja nas rampas de acesso, nos intérpretes de libras ou no apoio pedagógico especial, durante as aulas e nos contraturnos. O esforço busca propiciar aos alunos com deficiência a oportunidade de adquirir conhecimento no mesmo ambiente das outras crianças.


A diretora da escola, Suzete Reinert, considera essa política como instrumento para formação não apenas intelectual das crianças.


– O nosso principal objetivo é que nossos alunos aprendam, dentro de suas possibilidades, o máximo possível –, diz ela.


– Porém não é só o aprendizado acadêmico, do português e da matemática, que importa. Vindo aqui, eles ganham mais independência, sociabilizam melhor e superam seus limites –, diz a diretora.

Uma barreira no processo de inclusão é a falta de conscientização de alguns professores, que resistem à presença dos alunos em sala de aula, recusam-se a alterar seus métodos de ensino e têm dificuldades de aceitar os profissionais de apoio pedagógico especial, que auxiliam professores que possuem alunos com deficiência na sala. O trabalho do apoio especial não substitui o professor regente, o principal responsável pelo aluno.

Segundo Suzete Reinert, “é importante que os professores saibam qual é a deficiência que a criança tem, pois as necessidades de uma criança com autismo são diferentes das de um cadeirante”. Para superar a desconfiança é preciso focar na formação do professor.


Pedagoga especializada em educação especial, Giséli Vinotti faz parte da equipe de apoio pedagógico especial da escola. Ela defende a inclusão e o aprendizado das crianças com deficiência como um esforço da escola, da criança e dos pais.


 – Um dos problemas que enfrentamos é a resistência de alguns pais para permitir que seus filhos venham à escola, eles resistem muitas vezes por achar que a escola não vai dar a atenção necessária –, afirma Vinotti.

Pai de uma aluna com espectro autista e professor de informática da Dona Lili, Jamis Correa reconhece a importância da escola na vida da filha.

– Ela tem dificuldade de se adaptar à rotina e encontra isso aqui. A escola conversou com a gente e se preparou para recebê-la, hoje ela já pergunta pelas aulas do dia.

As ações desenvolvidas na escola Dona Lili se enquadram nos projetos de inclusão da rede municipal de educação de Balneário Camboriú e são coordenados pelo Departamento de Educação Especial.

Implantado em 2002 para levar uma educação inclusiva de qualidade, o departamento conta com profissionais especializados, como pedagogos e educadores especiais, psicólogos, fonoaudiólogos, instrutores e intérpretes de libras, para atender 480 crianças com deficiência nas 16 escolas e 23 centros de educação infantil.

Apesar do sucesso atingido pelos programas, para a diretora do departamento, Fabiana Lorenzoni, é preciso ainda flexibilizar o currículo escolar e criar novos métodos de avaliação.

– É preciso adequar os mecanismos de avaliação que serão utilizados, não podemos avaliar da mesma forma pessoas com deficiências diferentes nem aquelas que não têm deficiência.

Para Lorenzoni, a política de educação inclusiva tem papel fundamental na construção do caráter cidadão não apenas dos deficientes atendidos, mas dos demais estudantes. Para a diretora, o contato entre alunos comuns e alunos com deficiência cria uma relação mútua de desenvolvimento.

– Enquanto os alunos comuns aprendem a conviver com a diversidade, os alunos com deficiência se sociabilizam, tornando-se menos infantilizados, aprendem mais.

É o caso de Dionei Berto, 17, que estudou na escola Dona Lili até 2009 e hoje cursa o primeiro ano do ensino médio em turma regular da Escola Estadual Urbana Profª Francisca Alves Gevaerd. Ele sonha ser médico, joga vôlei em uma escolinha no colégio, gosta de surfe, trabalha como copeiro e, devido a uma deformidade congênita, não tem o antebraço esquerdo.

Dionei participou de uma escolinha de surfe vinculada à rede municipal.
– Se no colégio eu ficava no meu canto, com uns poucos amigos, no surfe sempre me trataram como igual, com o tempo eu comecei a fazer mais amigos –, revela Berto.
Praticar o esporte elevou a autoestima e a confiança do adolescente, porém a discriminação não acabou. Segundo Dionei, “há as brincadeiras e os apelidos que não incomodam, dos amigos, mas têm aqueles que querem ofender, nesses casos eu fico chateado”.


12/4/2011 14:10, Redação, com MEC - de Brasília

Fonte : http://correiodobrasil.com.br/diversidade-na-escola-favorece-socializacao-dos-estudantes/228765/








sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Cada um aprende de um jeito

Professores propõem a alunos de 1ª a 8ª série com deficiência as mesmas atividades planejadas para os demais

Meire Cavalcante 

A lei é categórica: todas as crianças e jovens de 6 a 14 anos devem estar matriculados na rede regular de ensino, sem exceção. Entre os objetivos que se apresentam, está o de ensinar os conteúdos curriculares de uma forma que permita também aos que têm deficiência mental aprender. Para alcançá-lo, é necessário respeitar o ritmo e os limites de cada aluno e propor as mesmas atividades a toda a turma - incluindo os estudantes que têm deficiências como síndrome de Down, síndrome de Williams e autismo. Algumas estratégias utilizadas pela Escola Viva, em Cotia (SP), e pela EMEF Professor Francisco Weiler, em Morro Reuter (RS), permitem que essas crianças e jovens não freqüentem as aulas apenas como um passatempo ou uma atividade de recreação.


O conceito de inclusão deve estar contemplado no projeto pedagógico da escola. Atividades com esse propósito se encaixam no dia-a-dia dos professores e alunos (veja os quadros desta página e das seguintes) e tendem a dar resultados a longo prazo. Na Escola Viva, por exemplo, todos os alunos com deficiência têm exatamente os mesmos materiais que os demais, garantindo que ninguém se sinta discriminado. 


João Gabriel Uemura, 16 anos, é aluno da 8ª série e no começo do ano fez questão de que a mãe comprasse para ele cadernos para todas as disciplinas, mesmo não sabendo ler e escrever de forma convencional. Assim como os colegas, João colou nas capas imagens de seus heróis preferidos. Isso o faz se sentir parte do grupo. 



O simples fato de ter o material já ensina. Certa vez, Diogo Mitsuro Nakagawa, 15 anos, aluno da 8ª série, disse a Rossana Ramos, diretora da escola: "Amanhã é sábado e eu vou passear com meu pai". A diretora perguntou como ele sabia que o dia seguinte seria um sábado. Ele respondeu: "Porque hoje teve apostila de Sociologia. Então hoje é sexta-feira". Segundo Rossana, ter um material que estabelece a rotina da escola deu a esse aluno a noção de tempo. "Essa foi a aprendizagem dele naquele momento." 


quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Formas criativas para estimular a mente de alunos com necessidades intelectuais


O professor deve entender as dificuldades dos estudantes com limitações de raciocínio e desenvolver formas criativas para auxiliá-los


CONCENTRAÇÃO Enquanto a turma lê fábulas,
Moisés faz desenhos sobre o tema para exercitar o foco.
Foto: Tatiana Cardeal
De todas as experiências que surgem no caminho de quem trabalha com a inclusão, receber um aluno com deficiência intelectual parece a mais complexa. Para o surdo, os primeiros passos são dados com a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Os cegos têm o braile como ferramenta básica e, para os estudantes com limitações físicas, adaptações no ambiente e nos materiais costumam resolver os entraves do dia-a-dia.
Mas por onde começar quando a deficiência é intelectual? Melhor do que se prender a relatórios médicos, os educadores das salas de recurso e das regulares precisam entender que tais diagnósticos são uma pista para descobrir o que interessa: quais obstáculos o aluno enfrentará para aprender - e eles, para ensinar.
No geral, especialistas na área sabem que existem características comuns a todo esse público (leia a definição no quadro desta página). São três as principais dificuldades enfrentadas por eles: falta de concentração, entraves na comunicação e na interação e menor capacidade para entender a lógica de funcionamento das línguas, por não compreender a representação escrita ou necessitar de um sistema de aprendizado diferente. "Há crianças que reproduzem qualquer palavra escrita no quadro, mas não conseguem escrever sozinhas por não associar que aquelas letras representem o que ela diz", comenta Anna Augusta Sampaio de Oliveira, professora do Departamento de Educação Especial da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp).



A importância do foco nas explicações em sala de aula 



SIGNIFICADO Na sala de recursos, elaboração de livro sobre a
vida dos alunos deu sentido à escrita.
Foto: Marcelo Almeida
Alunos com dificuldade de concentração precisam de espaço organizado, rotina, atividades lógicas e regras. Como a sala de aula tem muitos elementos - colegas, professor, quadro-negro, livros e materiais -, focar o raciocínio fica ainda mais difícil. Por isso, é ideal que as aulas tenham um início prático e instrumentalizado. "Não adianta insistir em falar a mesma coisa várias vezes. Não se trata de reforço. Ele precisa desenvolver a habilidade de prestar atenção com estratégias diferenciadas para, depois, entender o conteúdo", diz Maria Tereza Eglér Mantoan, doutora e docente em Psicologia Educacional da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O ponto de partida deve ser algo que mantenha o aluno atento, como jogos de tabuleiro, quebra-cabeça, jogo da memória e imitações de sons ou movimentos do professor ou dos colegas - em Geografia, por exemplo, ele pode exercitar a mente traçando no ar com o dedo o contorno de uma planície, planalto, morro e montanha. Também é importante adequar a proposta à idade e, principalmente, aos assuntos trabalhados em classe. Nesse caso, o estudo das formas geométricas poderia vir acompanhado de uma atividade para encontrar figuras semelhantes que representem o quadrado, o retângulo e o círculo.

A meta é que, sempre que possível e mesmo com um trabalho diferente, o aluno esteja participando do grupo. A tarefa deve começar tão fácil quanto seja necessário para que ele perceba que consegue executá-la, mas sempre com algum desafio. Depois, pode-se aumentar as regras, o número de participantes e a complexidade. "A própria sequência de exercícios parecidos e agradáveis já vai ajudá-lo a aumentar de forma considerável a capacidade de se concentrar", comenta Maria Tereza, da Unicamp. 

O que é a deficiência intelectual?

É a limitação em pelo menos duas das seguintes habilidades: comunicação, autocuidado, vida no lar, adaptação social, saúde e segurança, uso de recursos da comunidade, determinação, funções acadêmicas, lazer e trabalho. O termo substituiu "deficiência mental" em 2004, por recomendação da Organização das Nações Unidas (ONU), para evitar confusões com "doença mental", que é um estado patológico de pessoas que têm o intelecto igual da média, mas que, por algum problema, acabam temporariamente sem usá-lo em sua capacidade plena. As causas variam e são complexas, englobando fatores genéticos, como a síndrome de Down, e ambientais, como os decorrentes de infecções e uso de drogas na gravidez, dificuldades no parto, prematuridade, meningite e traumas cranianos. Os Transtornos Globais de Desenvolvimento (TGDs), como o autismo, também costumam causar limitações. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 5% da população mundial tem alguma deficiência intelectual.
Foi o que fez a professora Marina Fazio Simão, da EMEF Professor Henrique Pegado, na capital paulista, para conseguir a atenção de Moisés de Oliveira, aluno com síndrome de Down da 3ª série. "Ele não ficava parado, assistindo à aula", lembra ela. Este ano, em um projeto sobre fábulas, os avanços começaram a aparecer. "Nós lemos para a sala e os alunos recontam a história de maneiras diferentes. No caso dele, o primeiro passo foram os desenhos. Depois, escrevi com ele o nome dos personagens e palavras-chave", relata ela.

 Escrita significativa e muito bem ilustrada 

COMUNICAÇÃO Vinicius superou o isolamento e melhorou a interação e
m atividades com imagens e sons.
Foto: Léo Drumond

A falta de compreensão da função da escrita como representação da linguagem é outra característica comum em quem tem deficiência intelectual. Essa imaturidade do sistema neurológico pede estratégias que servem para a criança desenvolver a capacidade de relacionar o falado com o escrito. Para ajudar, o professor deve enaltecer o uso social da língua e usar ilustrações e fichas de leitura. O objetivo delas é acostumar o estudante a relacionar imagens com textos. A elaboração de relatórios sobre o que está sendo feito também ajuda nas etapas avançadas da alfabetização.

A professora Andréia Cristina Motta Nascimento é titular da sala de recursos da EM Padre Anchieta, em Curitiba, onde atende estudantes com deficiência intelectual. Este ano, desenvolve com eles um projeto baseado na autoidentificação - forma encontrada para tornar o aprendizado mais significativo. A primeira medida foi pedir que trouxessem fotos, certidão de nascimento, registro de identidade e tudo que poderia dizer quem eram. "O material vai compor um livro sobre a vida de cada um e, enquanto se empolgam com esse objetivo, eu alcanço o meu, que é ensiná-los a escrever", argumenta a educadora.
Quem não se comunica... pode precisar de interaçãoOutra característica da deficiência intelectual que pode comprometer o aprendizado é a dificuldade de comunicação. A inclusão de músicas, brincadeiras orais, leituras com entonação apropriada, poemas e parlendas ajuda a desenvolver a oralidade. "Parcerias com fonoaudiólogos devem ser sempre buscadas, mas a sala de aula contribui bastante porque, além de verbalizar, eles se motivam ao ver os colegas tentando o mesmo", explica Anna, da Unesp.

Essa limitação, muitas vezes, camufla a verdadeira causa do problema: a falta de interação. Nos alunos com autismo, por exemplo, a comunicação é rara por falta de interação. É o convívio com os colegas que trará o desenvolvimento do estudante. Para integrá-lo, as dicas são dar o espaço de que ele precisa mantendo sempre um canal aberto para que busque o educador e os colegas.

Para a professora Sumaia Ferreira, da EM José de Calazans, em Belo Horizonte, esse canal com Vinicius Sander, aluno com autismo do 2º ano do Ensino Fundamental, foi feito pela música. O garoto falava poucas palavras e não se aproximava dos demais. Sumaia percebeu que o menino insistia em brincar com as capas de DVDs da sala e com um toca-CD, colocando músicas aleatoriamente. Aos poucos, viu que poderia unir o útil ao agradável, já que essas atividades aproximavam o menino voluntariamente. Como ele passou a se mostrar satisfeito quando os colegas aceitavam bem a música que escolheu, ela flexibilizou o uso do aparelho e passou a incluir músicas relacionadas ao conteúdo. "Vi que ele tem uma memória muito boa e o vocabulário dele cresceu bastante. Por meio dos sons, enturmamos o Vinicius."



Fonte : Revista Nova escola

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