Mostrando postagens com marcador Políticas Públicas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Políticas Públicas. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, abril 28, 2011

Câmara discute criação de políticas públicas para portadores de autismo

A criação de políticas públicas no tratamento de portadores de autismo foi tema de audiência pública na Câmara Municipal de Natal nesta quarta-feira (27). Durante a reunião, proposta pelo vereador Franklin Capistrano (PSB) e que também contou com a participação do vereador Bispo Francisco de Assis (PSB), especialistas e associações que trabalham a questão discutiram as deficiências do sistema de saúde público no tratamento de portadores do distúrbio.

Segundo Franklin Capistrano, uma das motivações para a convocação da audiência foi a falta de medicamentos para controles de sono, agressividade e convulsões, que há quatro meses estão não costam no estoque da Unidade Central de Agentes Terapêuticos (Unicat). De acordo com o vereador, a situação demonstra a inexistência de políticas públicas específicas para os portadores de autismo.

“Existe uma parcela considerável de portadores de autismo no nosso estado, no entanto não existem ações definidas do governo municipal e estadual para o tratamento desse distúrbio. Isso só demonstra o quanto a área de saúde mental ainda é carente de atenção na rede pública”, destacou o vereador.

Um estudo publicado na revista Ciência e Saúde em abril desse ano aponta que um em cada cem brasileiros é portador de autismo. Nessa proporção, é possível aferir com base nos dados do Censo 2010 do IBGE que em Natal existem cerca de 8 mil autistas e, em todo o Rio Grande do Norte, aproximadamente 31 mil.

O diretor da Associação de Pais e Amigos dos Autistas do RN (APAARN) Valtemir Moura de Oliveira, propõe uma alteração na Lei Orgânica do Município que não inclui os autistas na categoria de portadores de deficiência mental, cujo atendimento é previsto dentro da rede básica de saúde.

Para o diretor da ONG, que hoje atende 50 autistas de todas as partes do estado, uma cláusula específica sobre o autismo facilitaria o diagnóstico precoce e a disponibilização de profissionais adequados para o tratamento dos portadores, como psiquiatras, fonoaudiólogos, nutricionistas e outros médicos especializados.

“É uma situação difícil porque mesmo se o município quiser implantar alguma ação, a assistência ao autista não está prevista em lei. Nosso foco é debater a questão e provocar a criação de políticas públicas sobre o assunto”, afirmou Valtemir Moura.

Com informações da Assecam




quinta-feira, março 31, 2011

Brasil não dispõe de políticas de inclusão de autistas no mercado de trabalho

O engenheiro de telecomunicações Gustavo Adolfo de Medeiros, com mestrado na área de inteligência artificial e neurociência computacional pela Coppe - Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia -, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o maior e um dos mais conceituados da América Latina, foi apresentado na audiência da CAS como pesquisador. Só quem o conhecia, sabia da sua condição. "Sou autista leve, de alta funcionalidade ou desempenho", declarou-se.


Apesar do currículo invejável - é fluente em inglês, com noções de francês e alemão, com dois trabalhos publicados em revistas estrangeiras -, o seu relato demonstrou a inexistência de políticas públicas que possam garantir a inclusão de pessoas como ele no mercado de trabalho e a falta de profissionais capacitados no diagnóstico e no tratamento de autistas.

Primeiro enfrentou dificuldades para diagnosticar suas diferenças. Ele se considerava normal e as informações que detinha sobre o autismo não pareciam se adequar ao seu caso. Com o insucesso na profissão e as sucessivas demissões, a tia que já cuidara dele ajudou-o a investigar a fundo o que prejudicava sua carreira, apesar da qualificação acadêmica, e os seus relacionamentos com as pessoas, inclusive os amorosos.

Favorável à aprovação do anteprojeto de lei federal, Gustavo contou uma de suas experiências mais dramáticas. Passou em dois concursos públicos, um deles para o Banco do Brasil. "Os meus avaliadores fizeram de tudo para eu ser aproveitado em setor tecnológico. Mas a norma da instituição me obrigava a ficar pelo menos um ano em agência. Para isto, eu tinha que ser bastante sociável", lembra ele.

Só após essa dispensa e uma extensa lista de médicos e psicólogos despreparados, tratamentos equivocados, inclusive com antipsicóticos, Gustavo conseguiu um neurologista com doutorado em Neuropsiquiatria que diagnosticou sua condição de autista. Ele continua sem emprego e diz que não quer ajuda governamental, como pensão ou outro benefício previdenciário. "Quero tirar meu dinheiro do suor do meu rosto, como todo mundo", enfatizou. "O autista não é fardo para a sociedade, a menos que achem que Einstein e Newton o eram. O austista oferece uma forma diferente de pensar e ver o mundo", complementou.


Fonte : http://www.senado.gov.br/noticias/verNoticia.aspx?codNoticia=105559&codAplicativo=2

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...